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tu es ma came

Tu es ma came

(Carla Bruni)

Tu es ma came,
Mon toxique, ma volupté suprême,
Mon rendez-vous chéri et mon abîme
Tu fleuris au plus doux de mon âme

Tu es ma came
Tu es mon genre de délice, de programme
Je t’aspire, je t’expire et je me pâme
Je t’attends comme on attend la manne

Tu es ma came
J’aime tes yeux, tes cheveux, ton arôme
Viens donc là que j’te goûte que j’te hume
Tu es mon bel amour, mon anagramme

Tu es ma came
Plus mortelle que l’héroïne afghane
Plus dangereux que la blanche colombienne
Tu es ma solution, mon doux problème

Tu es ma came
A toi tous mes soupirs, mes poèmes
Pour toi toutes mes prières sous la lune
A toi ma disgrâce et ma fortune

Tu es ma came
Quand tu pars c’est l’enfer et ses flammes
Toute ma vie, toute ma peau te réclament
on dirait que tu coules dans mes veines

Tu es ma came
Je me sens renaître sous ton charme
Je te veux jusqu’à en vendre l’âme
À tes pieds je dépose mes armes
Tu es ma came
Tu es ma came

TRADUÇÃO: VOCÊ É MEU VÍCIO

Você é meu vício
Você é meu vício
O meu produto tóxico a minha volúpia suprema
O meu encontro preferido e meu abismo
Você faz até o mais doce da minha alma

Você é meu vício
És o meu tipo de delícia de programa
Eu te aspiro e eu te expiro e desmaio
Eu te espero como se espera o maná

Você é meu vício
Gosto dos teus olhos, dos teus cabelos, do teu aroma
Venha então eu te provo que te fumo
Você é o meu belo amor o meu anagrama

Você é meu vício
Mais mortal que a heroína afegã
Mais perigoso que a branca colombiana
Você é a minha solução o meu doce problema

Você é meu vício
A você todos os meus suspiros os meus poemas
Para você todas as minhas orações é a lua
A você a minha desgraça e a minha fortuna

Você é meu vício
Quando vai embora é o inferno e as suas chamas
Toda minha vida toda minha pele te raclamam
Diria-se que você escorre nas minhas veias

Você é meu vício
Eu te quero que até vendo a alma
Aos teus pés eu jogo as minhas armas
Você é meu vício.
Você é meu vício.

Até o fim…

Esse homem…

Aquele olhar marrom que já eternizei em poesia e o sorriso de menino que esse homem tem me fascina. Ele é um misto de menino, pecado,  anjo e deus. É esse homem de corpo perfeito, de curvas nas coxas e nos braços que me enlouquece. Esse homem que desperta em mim todos os sentidos é cada vez mais meu, está em mim…

É esse homem o  homem de todos os próximos dias da minha vida…

meu bandido, meu mocinho, meu sol, meu amor…

A andrógena Marília Gabriela; a Barbie da terceira idade Suzana Vieira e a espalhafatosa Betty Lago a-rra-sa-ram na micro-mini-série do Agnaldo Silva  – Cinquentinha, que terminou com gostinho de quero mais semana passada. A química dessas três  atrizes foi sensacional. Um bate cá e lá que há muito tempo eu não via em uma produção global. Mulheres modernas interpretando mulheres modernas, com sarcasmo, bom humor e o melhor: provando que somos gostosas em todas as idades, temos direito à felicidade do jeito que for. Idade?  Que idade? Nada a ver, nem idade pra amar, pra fazer amor, xingar ou botar a mão na massa pra ganhar o próprio dinheiro. Agnaldo usou muito bem sua veia do humor, ele que sempre retratou a mulher nordestina por ser um nordestino, dessa vez conseguiu  modernizar suas protagonistas com uma magnitude  indescritível.

O que mais gostei foi que depois do FIM teve a frase ” da primeira temporada”.. que venham essas mulheres em 2010. Adorei Agnaldo!

Sem calar

Não me calo.

tenho a mesma indignação da adolescência, com o  sistema, com políticos, com capitalismo, com empresários, com banqueiros, com desleixo, com a falta de justiça, com o excesso de ganância, com a exploração em todos os níveis.

tenho a mesma rebeldia dos 20 anos e a responsabilidade em defender minhas ideias como sempre fiz.

Não me calo. grito. berro. xingo.

Ouça quem quiser. fico assim, com minha consciência leve.

Foto Cátia ChagasUnhas da mão esquerda pintadas, tatuagem de escorpião no braço direito, irreverência e um domínio das palavras, Fabrício Carpi Nejar, ou Carpinejar, na sua opção pela união dos sobrenomes, 37 anos, venceu o Jabuti 2009 na categoria contos e crônicas com Canalha! e vai receber seu prêmio no dia 4 de novembro, quando concorre, também, ao melhor livro do ano.
Carpinejar recebeu o ABC Domingo no seu “cantinho” na casa da mãe, Maria Carpi, em Porto Alegre. Na sua simpatia peculiar, o poeta falou sobre o livro em que defende o machismo poético e sobre poesia: “Ninguém sai de si por conta própria”.

 

 

Tu és um poeta, sempre foi conhecido e reconhecido pelas poesias. Como é ganhar um prêmio importante como Jabuti de um livro de crônicas, como ocorreu com Canalha!?
Fabrício Carpinejar –
É da poesia surpreender. O poeta insinua um caminho e vai para outro. Acho que o poema acabou fazendo isso comigo. É daquelas traquinagens maravilhosas e deliciosas, que é tão bom porque eu não deixo de pensar poeticamente na crônica. Ela funciona como se fosse uma conversa. Ela tem aquele prazer do cafezinho, aquele prazer da prosa miúda, da varanda, dos farelos do pão na mesa. A crônica é justamente quando a literatura transborda da página.

Na tua opinião há equivalência entre o poeta e o cronista?
Carpinejar –
Tem. O que eu tento controlar na crônica é justamente o poema. O poema tem que ser o tempero, não pode ser toda a comida. A crônica eu acho que tem esse equilíbrio entre o humor e o lirismo e justamente uma autocrítica. Tu ter a capacidade de rir de si para poder rir dos outros.

O Canalha! fala do homem contemporâneo, retira rótulos. Como surgiu a inspiração para desenvolver esse tema no livro?
Carpinejar –
Eu percebi esta crise do masculino. Esta vertigem. Porque o homem assistiu a mulher avançar, ocupar o seu lugar, criar seu espaço. Ele ficou parado como se estivesse pronto. Ele não poderia continuar sendo uma caricatura. A questão é que o homem, e eu defendo isso, perdeu muito tempo provando a sua masculinidade. Homem que é homem não precisa provar e o Canalha! é recuperar esta figura sedutora e eu defendo uma espécie de machismo poético.

Esse machismo poético é o canalha moderno?
Carpinejar –
É o canalha que é transgressor na linguagem e conservador nos hábitos, mas que luta contra o preconceito, que não acha que as pessoas devem ser julgadas pela aparência.

Quem é o canalha?
Carpinejar –
O canalha é aquele que seduz com o feminino hoje. Aquele que não tem vergonha de chorar, de se emocionar. Não que ele seja um chorão, um piegas derramado. Um canalha contido, só que ele é transparente, invisível. A mulher se apaixona por ela mesma. Aí que está a força do canalha. Como a mulher vai se recusar? É impossível se recusar. O canalha não se despede, pode sempre voltar, ele não termina relacionamento, ele acaba de uma certa forma confundindo e ele seduz a qualquer momento e não espera a noite pra caçar. Eu acho que essa é a diferença mesmo. Ele é a própria caça. Ele se oferece ao sacrifício.

O canalha é um homem cheio de qualidades…
Carpinejar –
Ele tem esse talento para antecipar possíveis críticas, de desarmar visões totalitárias, de buscar o avesso das coisas. E, principalmente, particularizar o elogio. Uma mulher sempre acredita que o homem não presta atenção naquilo que ela fala. O canalha devolve toda a memória que a mulher pensa.

Com um livro de crônicas vencedor de prêmio, o gênero vai se fazer mais presente?
Carpinejar –
Eu gosto muito de pensar que como eu não tenho talento, nunca me falta talento. O escritor se delicia com a própria falência. O escritor tem essa vocação infantil. Dá um barbante, um metal, um cano e ele vai criar um brinquedo ali. O que eu vejo é que a crônica está me exigindo mais e a poesia, como é muito mais relâmpago, muito mais momento, muito mais intensidade, eu tenho feito mais lentamente e a crônica tem se esparramado, mas a poesia não vai deixar a crônica arrogante.

Há, de um modo geral, uma depreciação da poesia, ouve-se muito que poesia não vende como romances?
Carpinejar -
Enquanto ainda dizem que a poesia não vende, eu fico tranquilo. Um dia vão chegar e dizer que o poeta se vende, aí é terrível. A poesia não vende, depende. Eu acredito que a grande revolução da leitura na poesia no Brasil seria se os poetas lessem os poetas. Os poetas só querem escrever e publicar o seu livro. Eles têm aquela angústia da confirmação e algo que eu acho um pouco danoso é que o poeta olha o outro poeta como um concorrente.

Falta corporativismo…
Carpinejar -
Falta corporativismo na poesia. O poeta é muito egoísta no sofrimento, ele quer dizer que sofreu mais. Então a gente está na gincana pra ver que poeta sofre mais. A gente tem é que assumir a nossa alegria, porque alegria a gente não tem como assinar. A dor sim, a dor a gente sempre diz que é nossa, a alegria a gente diz que é do outro.

O poeta é um apaixonado?
Carpinejar –
Bah! Põe apaixonado nisso! Poeta é passionalidade. O poeta vai desafiar a vida pra saber quem é mais poeta, se é o livro ou aquilo que ele viveu. Se ele dá um abraço numa árvore ele já está apaixonado pela árvore. Chega a doer. Ele é capaz de acariciar uma pedra para que ela receba musgo. É isso.

Em um artigo teu tu dizes que poesia não é desabafo.
Carpinejar –
Desabafo é algo provisório. Desabafar não é poema. Vai colocar pra fora. Poema tu vai colocar pra dentro, é muito mais sexy, ou seja, é essa nossa capacidade de não sofrer mais do que as palavras. É respeitar o texto e entender que o leitor não tem a obrigação de sentir aquilo que a gente sente.

Lenda ou não, dizem que para escrever poesia é preciso estar sofrendo. Não pode ser só alegria?
Carpinejar -
É nisso que eu acredito. Pode ser alegria. Se aproximar do carnaval, porque ele só escreve seus melhores poemas no dia de finados? A gente pouco valoriza aquilo que nos desafia, a inquietude. Eu não entendo como alguém pode numa balada ou num bar acreditar que vai ser igual ao dia anterior. Há sempre a possibilidade do milagre, da surpresa do imprevisto. Desde que a gente fique atento a isso.

Ficar atento…
Carpinejar –
É se emocionar. A gente quer planejar a nossa própria emoção. A gente está deixando pouco espaço justamente para errar. A gente não quer errar mais no casamento, no namoro, na amizade. A gente está tentando minimizar o erro e a gente perde todo o escândalo sensorial da própria vida.

As dores de amor sempre inspiraram poetas. O amor é a principal inspiração?
Carpinejar -
Acredito que vai ser sempre a principal inspiração. A gente não precisa ser corno, ter dor de cotovelo, perder amor, porque senão tu começa a conspirar contra o teu sucesso amoroso. Tu passa a querer sofrer. O poeta não é um masoquista, quem gosta de apanhar, tudo bem, procura outras modalidades… (risos). Eu acredito que até pra sofrer a gente tem elegância.

Em uma entrevista tu disseste que não existe ex-amor. O amor, então, é sempre o presente?
Carpinejar –
Costumo dizer também que amor não morre de velhice. De uma certa forma a gente vai tentar assassiná-lo. Em algum momento a gente vai se precipitar e abandonar ou por um bom motivo ou por um péssimo motivo. É muito fácil reviver uma lembrança porque a gente sempre tem imaginação. Mas eu chamaria atenção pra saudade, porque a saudade engana. A saudade é a única mentirosa que eu acredito porque ela torna tudo melhor.

Existe mesmo no mundo dos poetas a musa inpiradora que tanto badalou Vinicius de Moraes?
Carpinejar -
Eu acho que o Vinicius de Moraes… era lésbico. Ele amava as mulheres em si. Não tem outra explicação. A gente fica sempre projetando a musa. Se é pra ter musa, eu aceito. Mas o poeta tem que ter a mesma igualdade de direitos de um fotógrafo e um pintor. Não pode ser considerado um tarado se convidar uma mulher pra posar para um nu artístico, pra escrever um poema. Se acontecer isso, tudo bem, eu acredito na musa…

Como surgem as palavras em ti?
Carpinejar -
Ninguém sai de si por conta própria. É minha teoria dos escombros. Ninguém sai dos escombros. Precisa pedir ajuda. É algo na outra pessoa que desperta em ti algo que tu tinha esquecido. Tanto a poesia quanto a crônica é contato. É olhar o outro para se reencontrar. É observar o que está acontecendo e pensar, de repente tu olha uma bicicleta vermelha e tu lembra da tua bicicleta vermelha, aí tu lembra que tinha freios nos pedais, tu pensa que de repente tua vida é feita de freios nos pedais. Isso te torna diferente.

Livro novo?
Carpinejar –
O livro do twitter, que é twitter.com/carpinejar. Reuni meus aforismos, uns 400. Eu não falo no twitter: eu estou acordando. Eu acho que tô lá para incomodar, eu espero que um dia alguém diga: abaixe o volume do teu twitter, a gente não consegue mais dormir!!! É isso.

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*Publicada na edição de 1 de novembro de 2009, ABC Domingo

incrédula

que de todas as coisas que eu ainda consiga acreditar, que o amor esteja entre elas.

que o fim seja o recomeço.

que meu amor suporte as tempestades.

Frio

pes

a superfície gélida parece penetrar nos pés descalços. a sensação de congelamento em segundos sobe pelas pernas e toma conta do corpo. o frio se estabelece. não há uma só onda de calor. nem o sangue. nem lembrança do fogo. é frio. assim está e assim permanecerá. inerte.

Em “L”

xadrez

Em  um tempo muito remoto, mal lembro, tentei aprender a jogar xadrez. A única coisa que marcou dessa fracassada tentativa e,  ontem, me veio à memória, é que a peça cavalo anda em L no tabuleiro. Fiquei pensando nas coisas que acontecem em minha vida. Sempre em L. Não sei há quanto tempo estou no jogo, sei que há acúmulo de pó, peças machucadas e o caminho em L.  Hoje acordei me sentindo ali no cantinho do L, bem no  ângulo de 90°. O bom de me ver assim é que tenho dois caminhos do L para seguir: para a haste maior ou a menor? Não sei. Quero ficar aqui nesse cantinho bem quietinha e observar, como um bom jogador de xadrez, qual a melhor peça a mover.  Estou em xeque, mas tem muito jogo pela frente.

É nesta sexta-feira que começa no Rio Grande do Sul a campanha da ministra Dilma Rousseff para a cobiçada cadeira de presidente da República. Com direito à presença do presidente Luiz Inácio e do meu meio-quase-desafeto ministro da Justiça Tarso Genro e  quase-certo-talvez o candidato do PT ao Piratini ano que vem por aqui;  a trupe  vem inaugurar o início das obras da Rodovia do Parque, ali, entre Sapucaia e Esteio. Obra do PAC, o grande cartão de visitas da campanha de Dilma em 2010, assim como foi o Bolsa Família na reeleição do ex-sindicalista. Resta-me saber se o  Duda vai estar nessa outra vez.  Ah, parece que tem um zumzum que o marqueteiro do Obama vem dar uma mãozinha…esperemos.

Em 2006 o povo tinha comida, agora tem estrada. Pelo menos está agradando a gregos e troianos. Gerando emprego. Tudo azul até descobrirem desvios de recursos das obras ou alguma superfaturada licitação. Vão vendo…

O detalhe é que  além de fechar o trânsito na BR 116 no trecho da obra amanhã de manhã, o presidente não estará num palanque, claro, seria quase uma pré-propaganda eleitoral  para a  chefe da Casa de Civil. Ele estará num palco. Aplausos, aplausos,  e um alerta: não é campanha, qualquer semelhança é só, e somente só, mera coincidência.

E viva o PAC!

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