Meu homem não é um poema, mas tem cara de alguns, dos meus preferidos. Às vezes eu vejo ele nas palavras da Elisa Lucinda, como foi o “No pasto”, que ele nos identificou. Também vi ele nas letras do Chico. Enxergo meu amor e seus olhos nos poemas de Torquato, de Leminski, dos meus preferidos, nem sempre lidos.
Li desde sempre o olhar do meu amor, isso sim. Marrom, como no poema que escrevi pra ele, o olhar que me alimenta, que me alimentou desde o princípio, que revigora a minha vida desde daquela data. Do dia marcado. Doeclipse que ainda não virou poesia.
Sua boca é o soneto, a sua voz a melhor das rimas. Sabe como ninguém me chamar de louca e dizer que me ama. Rima palavrão com Lua e me tem assim. Desde o dia marcado. Busca do eclipse. Suporta minhas crises, sente ciúme, não vive sem mim. Não vivo sem ele, suporto suas crises e sinto ciúmes.
Felinos, intuitivos, desde o dia marcado, daquela data uma certeza: a poesia nascia. Escrita um verso de cada vez, perdida em prosa e em poema, em rimas ricas, em rimas pobres. Verbos mal empregados, vírgulas deslocadas. Bocas agarradas. Poesia nascendo, vidas vivendo. Sentimento insano. Amor profano.
Amor… verdadeiro, eclipse sorrateiro.