Tem certos momentos que me envergonho de ser jornalista. Quando vejo alguns colegas como urubus em volta de carniça me enoja. Nas últimas semanas, acompanhando a repercussão da tragédia do voo da Air France, fiquei nos bastidores pensando e comentando com um colega lá da redação: por que a imprensa tem que ser tão sensacionalista com a tragédia da vida alheia? Pô, acho suficientemente positivo relatar o fato, avaliar a situação da tragédia e informar os fatos novos que surgirem. Mas ficar puxando para o sensacionalismo do tipo ” o que fazia da vida o fulano de tal que embarcou no voo AF 447; ou ainda pior: ele não embarcou, na última hora transferiu a viagem!!” – Bah, chega gente, posso estar sendo nada “profissa” mas sou de outro jornalismo, o que um dia eu estudei para exercer! Explorar a tragédia é coisa da imprensa brasileira porque no Le Monde, jornal francês, que admiro muito, não explorou o acidente do Airbus como a imprensa brasileira. Fizeram jornalismo sério. A nossa imprensa parece despreparada, e dessa forma, a meu ver, perde credibilidade.
Lamento pelos colegas que não têm o bom senso de enxergar o limite da informação com a invasão. Lamento, mas acredito que um dia isso mude, acredito no jornalismo informativo sem a necessidade do ” marronzismo” pra vender jornal!
Fui!