A passagem pelo cinema de A pele em que habito (La piel que habito, 2011) de Almodóvar foi rapidinha, quando vi, tinha saído de cartaz. Nesta semana, baixei aqui no PC e só hoje me dediquei a assistir e confesso que, quando eu acho que nada mais do gênio pode me surpreender eis que surge um filme totalmente fora de qualquer contexto que eu, um dia, ousaria em pensar ser possível fazer um roteiro, e olha que de roteiros fora do normal eu entendo. O filme é mais que espetacular, mais do que autoral, mais do que a mente humana pode sugerir. Um filme excitante!
Fiquei deslumbrada com mais essa pérola do espanhol. Não bastasse a interpretação majestosa de Antonio Banderas, que, quem me conhece sabe que eu tenho um amor especial pelo cara, que está brilhante, as cenas são minunciosamente bem escritas, dirigidas com maestria e a passagem de tempo, que pode nos deixar loucos, é, de fato, uma preciosidade. O roteiro de idas e vindas prende o telespectador. Eu fiquei na fissura quando o desenrolar da trama foi gerando uma adrenalina fora do comum, eu pensei nas infinitas possibilidades que o ser humano pode ter na vida, no que um escolha certa ou errada pode acarretar, no que um passo certo ou errado pode ser o suficiente para um mudança no percurso e que este percurso pode ser a escolha do outro, não nossa…
Almodóvar pode demorar para surpreender, mas o cara sabe e sabe muito bem deixar a gente de queixo caído. Um brinde ao espanhol que sabe como poucos, enlouquecer e ao mesmo tempo encantar com suas histórias nada comuns. Tim-tim. Vida longa, Almodóvar!

